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Professor de rede estadual tira licença médica e aparece na Rússia vendo a Copa

Secretaria de Educação confirma o atestado médico, mas garante que as informações de saúde são sigilosas.

Ninguém fala sobre outra coisa na Escola Estadual Alcyone Moraes De Castro Vellozo, na Cidade Industrial de Curitiba. Alunos e o corpo docente estão alvoroçados com a descoberta de que o professor de História – afastado para tratamento médico – está na Rússia para acompanhar os jogos da Copa do Mundo 2018. Norberto Pilon é professor da rede pública de ensino há 22 anos e foi afastado por dois meses por que pediu licença médica. A Secretaria de Educação do Estado confirma o atestado médico do professor, mas garante que as informações de saúde são sigilosas.

Resposta

Para a Banda B, a Secretaria de Educação do Estado confirmou que o servidor público está de licença médica e que pode fazer o que quiser durante esse afastamento. “O professor está em licença médica entre os dias 4/05 e 02/07 e as questões médicas são sigilosas, não podendo ser informadas as razões do afastamento. De acordo com a lei 6174/70 (estatuto do servidor público), o funcionário pode fazer o que quiser no período de licença, com exceção de exercer atividade remuneratória”, finaliza a nota da assessoria de comunicação do Estado do Paraná.

Os comentários na escola começaram a surgir na semana anterior ao início da Copa do Mundo, quando alunos viram por meio das redes sociais que o professor de História estava viajando para a Rússia, no último dia 9. Um aluno matriculado pelo Ensino de Jovens e Adultos (EJA) disse à Banda B que todos estão comentando sobre a viagem do professor, em pleno ano letivo.

“Acho injusto porque o pessoal está lá, mesmo com Copa, estudando, trabalhando o dia todo, correndo atrás das coisas, tendo aula, e o professor pega um atestado para ir para a Copa. Mesmo com Copa, ele tinha que cumprir o horário dele, é injusto até com outros professores e ele lá tranquilão pelo Facebook”, disse o aluno, que pediu para não ser identificado com medo de represália.

Na página pessoal do professor afastado não há fotos postadas por ele na Rússia. O diário de bordo das fotos acontece em um grupo público criado por um amigo do professor, que faz as marcações das fotos. “Ele não posta nada, só o amigo marcando ele. Depois que a gente viu que ele estava lá, fomos perguntar para o diretor e todos disseram que ele estava de atestado, mas ninguém disse a doença”, finalizou o aluno.

Em um grupo de alunos criado por meio do WhatsApp, os alunos questionaram a postura do professor. “Isso é ser desonesto. Como que ele fala em corrupção para a gente na sala de aula?”, diz um dos estudantes.

Também sem se identificar, uma docente que leciona na mesma escola comentou que a direção passou a informação de que o professor tinha uma licença médica por causa de um problema psiquiátrico. “Você não viaja de um dia para o outro, você não compra ingresso para assistir futebol em uma copa de um dia para o outro. Se for investigar, ele já estava tramando isso há muito tempo, só não sei de que forma conseguiu esse atestado. Nós fomos pegos de surpresa… Ele já vinha dizendo para nós que viajaria na copa, mas não acreditamos. Como que ele faria isso em pleno ano letivo?”, questionou.

 

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