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Moradores de vários estados do Brasil pedem justiça pela morte de Bernardo em Três Passos

Publicado dia 11/03/2019 às 20h47min | Atualizado dia 11/03/2019 às 20h54min
Quase 5 anos começa julgamento dos envolvidos

A história do caso Bernardo Boldrini comoveu não só os gaúchos, mas também moradores de outros estados do Brasil. Após quase cinco anos da morte do menino de Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul, pessoas que não chegaram a conhecer ele ainda se mobilizam e realizam ações pedindo justiça.

 

O julgamento começou por volta das 13h desta segunda-feira (11). Entre os acusados, estão o pai e a madrasta do menino, Leandro Boldrini e Graciele Ugulini. Respondem também pelo crime os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz. A previsão é de que o júri dure uma semana.

 

Algumas mulheres criaram grupos no Facebook, nos quais divulgam informações sobre o julgamento, realizam ações para prestar homenagens ao Bernardo e trocam apoio.

 

Em um desses grupos, foi marcada uma rede de oração para a manhã de segunda, dia em que começou o julgamento dos réus acusados de terem matado o menino.

 

A aposentada Asileide Medeiros de Oliveira, conhecida como Vovó Zizi, escreveu: "Não importa sua religião, juntos com o pensamento no júri em Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Que seja feito justiça para o Bernardo e que os anjos acampem no TJ. Estaremos juntas em pensamentos e energia positiva".

 

Moradora de Natal, no Rio Grande do Norte, Zizi, de 68 anos, nunca veio ao estado gaúcho, apesar de ter dois netos que moram em Bagé, na Região da Campanha do RS. Em 2014, através de uma matéria do Fantástico, que noticiou a morte do menino, ela soube da história de Bernardo e se sensibilizou.

 

"Como eu tenho seis netos, e um deles com a idade do 'Be', isso me comoveu muito. Sou viúva, viro as madrugadas na internet pedindo justiça por esse menino que não conheci. Quem é mãe ou avó se comoveu com essa barbárie", relata.

 

Nas redes sociais, ela conta que fez muitas amizades com moradores de Três Passos, que conviveram com Bernardo, como mulheres que foram professoras dele e outras pessoas que eram próximas da família.

 

"Quando saía uma reportagem que falava o nome delas, eu ia procurando elas no Facebook. Assim fiz amizades e mantenho contato até hoje", afirma.

 

Através desses contatos, Zizi consegue fazer cartazes em homenagem a Bernardo, que são colocados na frente da casa em que ele morava em Três Passos, com o pai, a madrasta e a irmã.

 

"Vários desses membros [dos grupos de Facebook] já estiveram em Natal, nos encontramos e choramos juntos", acrescenta.

 

A gaúcha Karine Mezzomo de Oliveira nasceu em Três Passos, mas mora há mais de 20 anos em Foz do Iguaçu, no Paraná. Ela esteve, há cerca de três anos, em uma missa na cidade do Rio Grande do Sul em homenagem a Bernardo. Ela fez uma camiseta para a ocasião. Outras mulheres do grupo gostaram da ideia e aderiram à iniciativa.

 

"Mandei muitas camisetas para o Brasil todo. Acho que mandei mais de 100. Uma luta muito grande por esse anjo", afirma.

 

A catarinense Neusa Maria da Cunha Castagnari, de 67 anos, também faz parte desses grupos e realiza ações de homenagem ao Bernardo. Após saber do caso pela internet, ela começou a visitar, todo ano, o túmulo do menino em Santa Maria.

 

"Eu estava sempre no computador, e me deparei com a foto do Bernardo, dizendo que ele tinha sumido, que estavam procurando. Aquilo me cativou, me interessei, aquele menino me chamou a atenção. Então comecei a acompanhar. Me apeguei tanto a essa criança, que depois quando soube que tinham feito aquela barbárie com ele, que sou inconformada até hoje, fiquei ruim, passei mal, sofri muito".

 

Neusa chegou a conhecer a avó de Bernardo, Jussara Uglione, que morava em Santa Maria e morreu em 2017.

 

"Eu ia na casa da dona Jussara. Ela chorava muito, a casa dela era só foto do 'Be' e da Odilaine. Ela só vivia daquilo. Jussara morreu de tristeza. A Odilaine era filha única e o Bernardo era o único neto. Ela não comia mais, só chorava. Eu levava coisas para animar ela, mas não adiantava. Ela queria estar no julgamento, mas o corpo não aguentou", conta.

 

Na semana passada, Neusa viajou de Florianópolis para Três Passos. É a segunda vez que ela visita a cidade. No último domingo (10), ela e o marido foram até Frederico Westphalen, no local onde o corpo de Bernardo foi encontrado enterrado em abril de 2014.

 

"Quando cheguei lá, fiquei tão mal. Aquilo é demais, é muito sofrimento. É longe, não tem ninguém, uma trilha que mal dá para um carro passar. Fui lá, enfeitei, acendi vela, orei por ele, senti aquela presença dele. Como alguém teve coragem de fazer aquilo?", questiona.

Fonte: G1 Portal Globo

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