Saúde

Médica e atendentes são exonerados por ironizar atendimento

Publicado dia 22/02/2019 às 17h47min | Atualizado dia 20/03/2019 às 22h58min
A médica não deixou nem a pessoa falr o que seria o atendimento

doso de 78 anos de Espírito Santo do Pinhal (SP) morreu 12 horas depois das ligações, em janeiro. Advogado de médica diz que o protocolo previsto foi seguido e irá recorrer da decisão.

Uma médica e dois atendentes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de São João da Boa Vista (SP) foram demitidos por justa causa, na segunda-feira (21), por omissão de socorro a um aposentado de 78 anos. ntre a noite do dia 7 de janeiro e a madrugada do dia 8, em Espírito Santo do Pinhal (SP), e disse que “Samu não é táxi”. O aposentado Geraldo Vicente morreu 12 horas depois da solicitação.

O advogado da médica, Elias Curvelo, informou que irá recorrer à decisão e que todos os protocolos do Samu foram seguidos. Os atendentes não foram localizados pelo G1 para comentar o caso.

 
Ambulâncias do Samu Regional em São João da Boa Vista — Foto: Reprodução/EPTVAmbulâncias do Samu Regional em São João da Boa Vista — Foto: Reprodução/EPTV

Ambulâncias do Samu Regional em São João da Boa Vista — Foto: Reprodução/EPTV

 

Áudio do atendimento

 

Em áudio particular gravado pelo vizinho e obtido pelo G1, o homem pergunta sobre o serviço mais de uma vez e a mulher explica que já havia conversado com a esposa do paciente e a responsabilidade era do município. (Veja abaixo a íntegra do atendimento).

Vizinho: Doutora Vera, é o seguinte. Foi solicitado uma ambulância para dirigir o ‘seu’ Geraldo ao hospital, que ele não ‘tá’ passando bem.

Médica: O que você é dele?

Vizinho: Na verdade, é o seguinte. Mora ele e a esposa, são um casal de idosos e ele não tem ninguém...

Médica: O que você é dele?

Vizinho: Eu sou vizinho dele, só que quem...

Médica: Eu já conversei com a esposa, tá bom? Quando o vizinho liga a gente pede para chamar o familiar.

Vizinho: Não, sim... Só que é o seguinte, ele ‘tá’ passando mal.

Médica: Você pode levar por conta própria. Você tem carro? Você pode levar.

Vizinho: Eu tenho carro, só que se eu tivesse o carro e eu ‘tivesse’ lá perto dele eu já tinha levado né doutora, não ‘tava’ solicitando vocês.

Médica: É que o caso dele eu já conversei com a esposa que é responsável por ele. Eu não posso falar com você.

Vizinho: A senhora vai negar o transporte? É só isso que eu quero saber.

Médica: Não, mas o Samu não é transporte, Samu não é táxi. Eu vou te explicar o que aconteceu com ele: a esposa dele deu café preto com queijo, aí ele pegou e vomitou três vezes. Nem diarreia ele está. Não é caso para ambulância do Samu.

Vizinho: Ah, então ‘tá’ bom.

Médica: Ele precisa de um médico? Precisa, mas é pela ambulância do município.

Vizinho: A senhora não vai mandar a ambulância do Samu, é isso que eu quero saber, doutora. É só isso.

Médica: Você não quer entender para que serve o serviço do Samu, obrigada e boa noite.

 

Comissão analisou a gravação

 

Segundo o presidente do Consórcio de Desenvolvimento da Região de São João da Boa Vista (Conderg), Amarildo Duzi Moraes, a decisão foi tomada a partir da análise das gravações completas das ligações e de depoimentos de servidores relacionados ao Samu. O Samu Regional de São João atende 10 cidades.

O processo administrativo para que a comissão avaliasse a conduta da médica e dos atendentes foi instaurado no dia seguinte ao ocorrido.

“Ouvindo essas pessoas, ouvindo as gravações, esse conjunto de provas, a comissão de forma unânime propôs a demissão por justa causa por descumprimento no protocolo do Samu no atendimento. E a superintendência acatou integralmente o que eles propuseram, conforme previsto na legislação”, disse.

 

Fonte: Web Noticias Alegrete


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